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Esperança

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Esperança E a vida Cheia de pedras Aquele caminho Nunca pensei em campos floridos Apenas este deserto Nunca pensei em oásis Ou ilhas maravilhosas Pássaros gigantes Era só caminhar mais um pouco Vencer as pedras Eu não entendia Era isso que vocês chamavam de esperança Baixei a cabeça Nunca pensei em campos floridos Parei na estrada Aquelas pedras machucavam-me muito Não dava para caminhar Fiquei parado O vento gelava minha face A noite um frio na alma Eu não entendia era só caminhar mais um pouco Em sonhos Aprendi Você dizia que lá era bem melhor Então resolvi fazer um fogo Na estrada do meu coração Já conseguia aquecer uma parte de mim Agora caminhar ainda era muito difícil Machucava muito Resolvi dar um passo de cada vez Notei que as pedras Estavam ficando menos pontiagudas Depois uma areia macia Nunca pensei em campos floridos Apenas este deserto Nunca pensei em oásis Ou ilhas maravilhosas Era só ca...

Janelas para o mar

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Janelas para o mar A alma espreita As ondas Violentas ondas Pensamentos Mudanças Na janela flores No coração um aperto Quando penso Leve flutuo Assusto-me No escuro Abram as janelas Da vergonha Do passado Jogue as cartas na mesa Janelas para o mar De furacões De tornados Dias nublados Arrasam tudo Destroem as aves do meu coração São pássaros ornados Com tamanha destreza Que passeiam livres Na janela da minha alma Brisa de espectros Que sua passagem deixou Nas janelas para o mar Do mar Não se espera nada Apenas ventos e lágrimas Da janela posso ver meu futuro Com rochas Chocam-se Nas rochas corais Balizam minha esperança Flutua sobre as águas Salgadas Da janela para o mar De assombros Embora cantem os pássaros E os peixes aprendam A respirar Fora d’água Ainda assim A incerteza Fecha As janelas para o mar. Cláudio Andrade 23-04 2019

Esqueletos e sombras

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Esqueletos e sombras Casas e jardins Sombras e florestas Angústia e felicidades Esqueletos e sombras Pássaros em revoada Mil páginas de um livro Mal escrito, inacabado Dados de um circo Palhaços enlouquecidos Sol matinal Palavras esquecidas Apagadas da mente Jogadas em um tabuleiro Blefam contra o rei Curingas do baralho Escondidos na ilusão De quem ganhou Nas aparências Das trevas do engano E quando descoberto Chora sem lágrimas Sem sentido Berra ao som de música clássica Rodopia entre Casas e jardins Sombras e florestas Cidades e pessoas Angústia e felicidade Esqueletos e sombras. Cláudio Andrade 27-05-2019

Ciência

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Ciência Profundo Inconsciente Espaço Galáxias Pegarei partículas do sol Atravessam-me Flechas Sol poente Estarei louco? Raio que corta o céu Sem sentido Nuvens Formas De tudo Ate do esquecido Beira A consciência coletiva Seletiva Pegarei partículas do sol O corpo não aguenta Usarei o sonho A imaginação Serei criança Jogarei a roupagem Contaminada fora De tudo Dentro do nada No espaço vazio Flutua Cada vez mais perto Cada vez mais longe De tudo Da realidade Para o sonho Sem retrocesso Desconhecido No plasma Adenso Fluídico Quântico Tudo liga Com algo maior Cada vez mais perto Pegarei partículas do sol A ciência. Cláudio Andrade 26-05-2019

Ruas

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Ruas   Balanço das tardes Céu de um azul celeste Borboletas voam Pássaros cantam Ruas Mal comportam tanta gente É um vai e vem De amores De dores De saudades Pesados transeuntes Cada qual sua dor Rolam pelas tardes Preguiçosas Juntos sofrem Com seus passos rápidos Cada um no seu compasso Desorganizados Até um casal de namorados Mancam pelas avenidas Passam nas tardes Andam sem ter um por que. Apenas somem pra nunca mais Outro dia Mais pessoas Rápidas Outras lentas Felizes ou não Sobem a rua Sem ver o céu Sem sentir o ar Sem respirar Sem noção Caminham sem destino Por impulso Apenas obedecem ao cotidiano Sem ver Que a vida Passa Rápida Perdem-se No seu próprio caminhar Não querem ver Nem procuram saber Que o dia acabou À noite ninguém vê estrelas Ninguém abre as janelas Apenas dormem Cegos Sem sentir amor. Cláudio Andrade 23-05-2019

Nas esquinas da vida

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Nas esquinas da vida Apenas um garoto Sonhou Que teria um mundo de paz e amor Pensou Em construir a mais perfeita alegria Casa Jardim Amor Ainda muito jovem Os olhos Verdes De amor se enfeitaram A esperança crescia Coração Batia Alegre O tempo Cruel Passou Veneno Em seu jardim Amargura Em seu coração Tarde Para esquecer Sombras Brincavam em seu ser Amigos inimigos Rondavam Anoitecer Fechou os olhos Para o amor Solitário Em volta Muita gente Triste Dia De assombros Procurava o amor Uma casa Para voltar Jardim para brincar Quintal para ser o rei Perdeu o amor Casa Pouco importa Sonho Já se foi Solitário A tristeza como capa A angustia por máscara. Claudio Andrade 12-05-2019

Mundo velho

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Mundo velho Passou o dia inteiro Dentro de um funil Iluminado por átomos Que piscam A todo instante E saem Invadindo o seu olho Param no cérebro Sem perceber São imagens De um aparelho Olhando para as estrelas Na fronte uma cor azul Na sutileza de um rubi As arestas de um diamante Cortam mais quando é falso Corta a carne como navalha Uma luz Brota do corte Que adentra a pele Invade a alma Traz o vento Ilude o pensamento Passou um dia inteiro Como tantos outros Com seus cortes Que sara Pra outro dia Abrir de novo Outras feridas Uma luz corta o espaço do seu display Com um bip Convida de novo Do nada Para o nada De encontro Com novas feridas De laços desfeitos Para sorrir De um mundo velho. Que insiste em abrir E fechar feridas. Cláudio Andrade 07-04-2019