ASSOMBRAÇÃO
Se eu assombrasse a mim mesmo, com a corrupção a desonestidade e a ganância.
Se eu assombrasse os outros com espectro viral da desonestidade, da malícia e da pútrida falta de caráter.
Se eu assombrasse você.
Se eu assombrasse uma criança, com ensinamentos vis.
Com meu exemplo odioso e sem compaixão.
Se eu fosse a sombra de ontem, apenas um sem rosto um ladrão.
O que seria de mim?
Sem rosto, sem coração, sem fígado sem emoção.
Seria apenas alguém que assombra que assombra a desolação.
Viria em noite escura chorando, gemendo, gritando, matando.
O que seria de mim?
Se eu assombrasse a nação, sem pernas, com facão e sem mãos.
Eu sou monstro que não amo, não sonho, não sonho.
Sou parte escura de mim mesmo.
Retrato sem brilho, casa sem cor, jardim sem pássaros, vida com dor, lamentos.
Se eu assombrasse você.
Sem emprego, sem comida, sem escola, sem hospital.
O que seria de mim?
Um fantasma sem alma, trevas em silêncio, um homem sem pão, um ladrão um ladrão.
23 de maio 2017.
Cláudio Andrade
vejo esta poesia entre o ser e como a vida se mostra para o autor.
ResponderExcluirassombro, susto , inconformismo. Tempos difíceis .Na vida intima , na sociedade mas no fundo ainda resta esperança de dias melhores. Lutar para vencer
O moderno por não ser resumido é desenrolado nas palavras do poeta sendo tenebrosa a realidade é o desenlace que permeia tal poesia, adentrando na pérfida ganância do ser, numa existência pútrida. subsequente de seus atos pérfidos.
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