A noite vermelha
A noite vermelha
Caia
Uma chuva leve
Caia
No meu ser
Tirando toda razão
Um quebrar de ossos
Uma ilusão
A noite vermelha
O frio
Uma lagrima rolava
Caia
No chão
Meu travesseiro
Uma pedra
De gelo
Gelado era o cobertor
Arrepiava
A noite vermelha da ilusão
Do frio
Tateava no escuro
Olhos na escuridão
Esta câmara fria
Esta palidez
A noite vermelha
Ardia
em gelo
ardente
meus pensamentos
Uma confusão
Confissão
O casaco não aquecia
Uma chuva fria
Pingos cortantes
No telhado
Caiam
Uma lágrima se desprendia
Do meu olho
Caia
Na escuridão
Minha mente uma confusão
A noite vermelha
Jazia lá fora
Fria
Tudo imóvel
Apenas uma lágrima
Escorria
Caia
Na noite fria.

Cláudio Andrade
23-01-2018


Comentários

  1. Assim, como só os poetas conseguem, ao tom melancólico do poema, percebemos uma associação leve e delicada aos sons, movimento e sensações: tarde, chuva, frio, noite, escuridão e lágrimas. Uma tristeza ilustrada. Jureb Dilly.

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    1. Muito obrigado. A poesia transforma musica(sons) e movimento em sentimento.

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