Um jovem e sua embarcação

Um jovem singrava em mar revolto
Raios, grandes ondas.
Um espetáculo tenebroso
No céu apenas o plúmbeo das nuvens
Rajadas de ódio
Pancadas no tombadilho
Hastear a bandeira?
Impossível
A mente vazia
O leme qual um sonho
Uma tempestade na alma
Ora o jovem ora o barco
Sangrando 
Rangendo
Seu rosto molhado
Tubarões espreitam
Na fúria das águas
Corais
Rasgando ora o jovem ora o casco
Para o fundo
Para os abismos colossais
A proa da embarcação inclinava
Para o céu
Em forma de prece
O que restava?
Uma gota de luz
O salgado das aguas
Como plantar uma semente?
Neste mar revolto
Neste pesadelo de águas
O jovem se desespera
Uma terra para firmar os pés
Um leito para descansar
Apontar canhões
Atirar em fantasmas
Ou jogar flores na água.

Claudio Andrade
13-05-2018

Comentários

  1. O poema descreve a aventura de um menino em mar revolto. Retrata a angustia e o medo, sentimentos humanos nas adversidades e perigo. Ao poeta o direito e dever de mergulhar no mundo imaginário (Jureb Dilly).

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