Palhaços sinistros
No
sinaleiro um palhaço sinistro
Olhar
turvo
Boca
aberta
Baba
Na
grama sentado palhaço sinistro
Com seu
sino
Sem
esperança
Parado
ao sol
Amarga
No
carro dirigindo palhaço sinistro
Maquiagem
malfeita
Sonhos
desfeitos
Roupa
rasgada de bolinha
Contrista
Ao meu
lado palhaço sinistro
De fome
De
pressa
De ódio
Expira
No
espelho palhaço sinistro
Forjado
no fogo
Da
miséria
Com a
mão estendida
Pedindo
balinha
Pedindo
amor
Pedindo
um não
Pedindo
perdão
Outros
palhaços fazem contas
Contam misérias
Mesquinharias
Moedas
de reais
E já de
tardezinha
No seu
barraco sinistro
Luz
laranja
Esperam
outros palhaços sinistros
Que
bailam a luz do barraco
Silhuetas
Dançam,
cantam, choram
Fazem
suas preces
E de
perto não são nem palhaços e nem sinistros.
08-05-2018
Cláudio
Andrade
O poema retrata a desigualdade social, gritante, do nosso país. Pessoas espalhadas pelas cidades algumas apresentando personagens circenses para ganharem moedas. Em nossos pensamentos e julgamentos. Sinistros? Preguiçosos?Malfeitores? Então concluímos que são como nós. Apenas tentando sobreviver. (Jureb Dilly).
ResponderExcluirMuito obrigado por mais esta contribuição.
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