A morte do poeta




A morte do poeta


Gostaria de escrever coisas boas
Mas a lágrima insiste
Em cair
Gota a gota
Gostaria de falar sobre coisas simples
Do belo
Descrevê-lo como um sentimento
Deixar mais que o carvão na folha de papel
Expressar sentimentos
Imprimir em três dimensões o amor
A lágrima insiste em cair
Gota a gota
Agora
Por que não cai em torrentes?
Enxurrada que leva toda tristeza
Assim gota a gota
Mata o poeta
É assim...
Cada dia um pedaço
Cada dia um suspiro
Um laço que se desfaz
E vai ao sabor da vida
Amarga como fel
Faz careta
Assim pouco a pouco
A discórdia
A inveja
O seu olhar de assombro
Às vezes sua maldade
Seu sorriso disfarçado
São lágrimas do poeta
Ouça!
O pingar das lágrimas
E sonhe com pássaros
Com felicidade
Com ternura
Caso contrário
Assim
De lágrima em lágrima
Morre o poeta.

Cláudio Andrade
03-04-2019



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