Mundo velho




Mundo velho


Passou o dia inteiro
Dentro de um funil
Iluminado por átomos
Que piscam
A todo instante
E saem
Invadindo o seu olho
Param no cérebro
Sem perceber
São imagens
De um aparelho
Olhando para as estrelas
Na fronte uma cor azul
Na sutileza de um rubi
As arestas de um diamante
Cortam mais quando é falso
Corta a carne como navalha
Uma luz
Brota do corte
Que adentra a pele
Invade a alma
Traz o vento
Ilude o pensamento
Passou um dia inteiro
Como tantos outros
Com seus cortes
Que sara
Pra outro dia
Abrir de novo
Outras feridas
Uma luz corta o espaço do seu display
Com um bip
Convida de novo
Do nada
Para o nada
De encontro
Com novas feridas
De laços desfeitos
Para sorrir
De um mundo velho.
Que insiste em abrir
E fechar feridas.

Cláudio Andrade
07-04-2019


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