Superfície

 


Superfície

 

Espanto

Pequenos retalhos

Imensidão de água

Flutuar

Cair

O fim

A mente perturbada

Lembranças de terra firme

Nuvens azuladas

Nuvens brancas

Outras pardas

Há se eu pudesse dormir

O sol

Castigado pelo sol

Imensidão

Em campo aberto

O trigo e o sorgo

Sempre

Uns crescem mais que os outros

Nunca são iguais

Alguns insistem em olhar por cima

Foi o olhar

Que me fez sofrer

Nestas águas

Nestas lágrimas

A deriva

Apenas nada

Não posso afundar

Não quero ir para o fundo

Das águas

Tenho medo do seu olhar

De suas palavras

Quero remar

Muito

Quero amar

Mais

Quero sorrir

Só vejo as águas

De um furacão

Que se aproxima

Aguas roubadas do mar

Trazendo mil trovões

E raios

E eu aqui na superfície

Das águas

Quero remar

Quero amar

Mais

Quero viver

Não posso ir para o fundo

E sozinho

A esmo

Flutuo

Sobre o mar

Meu tempo

Resta pouco

Aqui em cima

Ainda tenho oxigênio

Pra pensar

Tentar

Viver

Amar

De novo

Mais um dia

De céu azulado

De sonhos

Das lágrimas

Que restam

Quero remar

Muito

Quero amar

Mais

Quero sorrir.

 

Cláudio Andrade

08/08/2020

 

 

 


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